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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Educação, informação e motivação na prespectiva de empresas capitalistas.

Na sociedade existe a forte tendência de simplificar, ainda me lembro dos tempo do Spectrum em que passava uma tarde inteira para conseguir fazer o "Load" de um jogo e depois só jogar durante 30 minutos e como isso mudou em poucos anos, quer seja na qualidade do produto oferecido como pelas novas tecnologias utilizadas que permitem em poucos minutos estar a jogar. Não que a afinação da fita com uma chave de fendas fosse alguma ciência, mas sempre veio com um manual de Basic que preservo até hoje e que na altura juntamente com uma revista me permitiu saborear pela primeira vez a sensação de criar ( copiar ) um programa. Basicamente era um pequeno tanque que disparava, isto tudo em formato gráfico de texto, e eu admito que perdi mais tempo a tentar gravar para K7 do que propriamente a melhorar ou alterar. Ainda deixei o pequeno PC ligado durante um dia para não perder as horas de copianço.
Esta sociedade dos nossos dias é sem duvida a sociedade do conhecimento. Side note: ( Um bom exemplo é o de que agora o nosso presidente só arranja novos estágios para licenciados, mais não digo, isto dava assunto para um novo post ).
Nos dias que correm todos estes conceitos confundem-se, e quem conseguir controlar o conhecimento as ferramentas e as fontes vai vencer. Todos sabemos e eu também posso dizer que da experiência que tenho neste campo, a micro$oft tem feito um belo esforço em implementar os seus produtos nas universidades Portuguesas por algum motivo ( Isto para além da função publica ). Neste momento tirando a Univ. de Évora não sei se mais alguma terá iniciativas publicas de Open Source ( Minho? ).

A nova iniciativa da m$ é sem duvida uma prova de como todo este movimento FOSS está a perturbar e a mudar a maneira da empresa olhar para o mercado. Estas são simplesmente umas das últimas iniciativas de abertura ( da falsa ).

O conhecimento e a liberdade de criar e alterar sempre foram os grandes motivos que atraíram novos programadores para o universo GNU, a curva de aprendizagem tende a ser grande ( tende ), e a documentação sempre se disse que é/foi muito escassa e mal organizada ( não que isto seja geral ), ou que seja este o nível máximo a que a comunidade deve aspirar. Para uma comunidade como a do FOSS a entrada ou chegada de novos programadores é vital. Não acredito que decisões como as da micro$oft façam grande mossa na comunidade a curto prazo talvez em companhias como a Red Hat, Mandriva ou Canonical porque têm necessidade de ser necessárias ( necessitam de vender ), seja para programadores como para empresas
que usem os seus produtos.

O que muitas empresas que tentam lucrar com o FOSS e por vezes se esquecem é que o software chegou a este nível através da partilha e se existir da parte dessas empresas um retorno da contribuição permitirá que o software e a comunidade continue a melhorar.

A comunidade claro que beneficia mais com os sucesso de empresas amigáveis, mas o espírito que está no "Kernel" e que dará mais impulso à inovação será o da partilha do conhecimento, da inovação e da partilha livre de código.

A longo prazo a incognita é bem maior, o nivel de penetração em
universidades já é significativo e empresas que contribuem para a comunidade, apostando cada vez mais num modelo de abertura do seu negócio também, veja-se o exemplo da TrollTech que dias antes de ser comprada pela Nokia licenciou o QT4 com a versao 3 do GPL, ou o exemplo da Google que está a apostar ( juntamente com outras empresas ), num sistema operativo para telemóveis baseado no Linux.

Tácticas como as usadas pela m$ poderão causar uma ilusão de abertura para empresas e estudantes que se habituaram a usar e conhecem os seus produtos, mas eventualmente irão esbarrar com uma das muitas restrições que a falsa abertura e partilha tem (exemplo: o facto de todas estas aplicações serem elas próprias código proprietário ). E será nesta altura que muitos programadores/estudantes ficaram frustrados pois tantos anos de conhecimento vão por agua a baixo em poucos minutos se tentarem olhar para as alternativas :-D . Este é o grande motivo que tenho notado em conversas com colegas e contra o qual é difícil argumentar. E ai então será preocupante para a comunidade.

À necessidade de mostrar e incentivar ainda mais, quem possa vir procurar o software aberto como uma alternativa, que apesar das falhas e diferenças, uma vez dentro do modo de funcionamento desta comunidade, as coisas tendem a funcionar muito bem.

Em relação ao software aberto posso dizer que uma das grandes falhas dos projectos FOSS é não terem por vezes o mesmo nível de documentação e suporte entre as varias linguagens e livrarias, em geral tem se provado que muitas vezes o nível do código excede e por vezes em muito o de equivalentes aplicações de código fechado e existem também casos em que o suporte gratuito ( os forums, mails, etc. ) oferecido pelas aplicações OSS ultrapassa em muito o equivalente suporte dado por empresas.

Neste momento como utilizador posso dizer que a opção de usar Linux não passa só pela opção de usar um sistema operativo melhor, mas passa já pela escolha que existe em todo o tipo de aplicações, como para ouvir musica ver filmes, navegar na net sem ter problemas ou simplesmente ter o sistema operativo actualizado e estar sempre a um comando de instalar novas aplicações.
Como Programador o facto de facilmente poder montar um sistema preparado a receber todo e qualquer software que queira testar ou usar essa mesma base para montar um servidor restringido com máximo de segurança e o mínimo de software não utilizado, faz desta a plataforma perfeita.

Quanto à documentação e integração das várias linguagens espero no próximo post ( um bocado mais para o técnico ) poder dar uma ajuda e desmistificar alguns dos tabus :-P .

UPDATE / NOVIDADES: Pouco depois de ter deixado aqui a minha teoria, houve uma nova evolução neste caso, deixo então aqui um link para a noticia News.com. Pouco tempo depois como não poderia deixar de ser surgiram novas teorias "
Just One Battlefield in a Much Bigger War". Só um pequeno cometário a esta nova jogada, a partilha/publicação é feita para ser utilizada de forma gratuita por quem não pretender comercializar o produto, caso contrario terá de pagar por cada patente utilizada. Isto é no mínimo ridículo se não querem concorrência então deixavam-se ficar como estavam que naturalmente soluções completamente abertas iriam surgir, isto só trará uma maior dependência e um estado de saúde doentia a toda a comunidade "open source". Quem vai suportar / criar uma alternativa quando existe algo que supostamente é standard.
Não nos podemos esquecer que esta é a mesma empresa que cobra licenças de distribuições linux com base em patentes nunca reveladas, e sem nunca ter contribuído com nenhum software. Que tipo de inovação esperam dar à comunidade se a única coisa que resulta da associação com outras empresas é uma pagina de erro no Firefox igual à do IE (sem sequer tirar a referencia ao IIS), no mínimo ridículo. Vejam no SUSE.

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